Cão de homem em situação de rua é sacrificado sem que ele soubesse: entenda o caso que gerou revolta
- Patrick Araujo

- 26 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Após ser preso por invasão de propriedade, Michael Puckett descobriu que um de seus cães havia sido eutanasiado e o outro doado; a situação levantou debate sobre os direitos de pessoas vulneráveis e seus animais

Michael Puckett, um homem em situação de rua na Flórida (EUA), foi detido por invasão de propriedade privada e permaneceu preso por cinco dias. Ao deixar a prisão, recebeu uma notícia devastadora: um de seus dois cães havia sido sacrificado, enquanto o outro fora encaminhado para adoção. O episódio provocou indignação pública e reacendeu discussões sobre a proteção de pessoas vulneráveis e seus vínculos com seus pets.
Como os cães foram retirados durante a prisão
O caso aconteceu em agosto de 2024, quando policiais desmontaram um acampamento de pessoas em situação de rua em Ormond Beach, na Flórida. Puckett foi preso por estar em um terreno baldio privado ainda não desenvolvido.
Antes de ser levado, ele pediu a um amigo que cuidasse de seus dois pitbulls: Macho Man, um cão preto, e Goose, um cão marrom com manchas. Para Puckett, esses animais eram muito mais que companhia. “Eles eram meus garotos. Faziam tudo comigo”, declarou ao jornal local.
A polícia, no entanto, não reconheceu o acordo e enviou um agente para recolher os cães. Inicialmente mantidos na delegacia, eles foram posteriormente transferidos para o Abrigo de Animais de Edgewater.
O que aconteceu com os cães e a busca por respostas
Durante os cinco dias em que permaneceu preso, Puckett não teve qualquer informação sobre o paradeiro de seus animais. Após ser solto, em 21 de agosto, iniciou uma busca incansável. Quando finalmente localizou os cães no abrigo, foi informado de que deveria pagar US$ 490 em taxas para recuperá-los.
Sem recursos, tentou negociar um pagamento parcelado e ofereceu US$ 100 como entrada, mas a proposta foi recusada. O abrigo mantinha um prazo de retenção de apenas 3 a 7 dias — justamente o período em que Puckett estava detido.
Somente após recorrer à Justiça, ele descobriu que Macho Man havia sido sacrificado. Goose, por sua vez, foi adotado por outra pessoa em 24 de agosto. “Não tive chance de me despedir. Não sabia que nunca mais os veria”, lamentou.
A disputa judicial para reaver o cão que sobreviveu
A advogada Marcy LaHart, especialista em direito animal, decidiu representar Puckett gratuitamente. Juntos, moveram uma ação contra o Abrigo de Animais de Edgewater, solicitando US$ 8 mil em indenização, um julgamento com júri e a devolução de Goose.
O processo, no entanto, encontrou dificuldades. As primeiras queixas foram indeferidas e, em novembro, LaHart recebeu uma carta de um advogado do abrigo acusando-a de apresentar “reivindicações frívolas” — além de ameaçar cobrar honorários adicionais caso o processo continuasse.
Apesar da pressão, Puckett e LaHart seguem firmes. Uma campanha de arrecadação foi criada para custear despesas legais, como transcrições e relatórios, já que a advogada atua de forma voluntária.
A relação entre pessoas em situação de rua e seus animais
O caso evidencia a vulnerabilidade das pessoas em situação de rua e a importância emocional que seus animais representam. Tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, cães frequentemente são a única fonte de proteção, afeto e estabilidade emocional para essa população.
Organizações sociais que atuam com esse público apontam que os animais funcionam como família para muitos deles. “Eu me comunicava com eles apenas olhando para eles”, contou Puckett, revelando a profundidade da conexão que mantinha com seus cães.
Atualmente, Puckett conseguiu emprego e um local fixo para morar, mas o trauma pela perda de seus animais em um dos momentos mais frágeis de sua vida permanece. “Eles não tinham o direito de fazer isso com meus cães”, afirmou.








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