Fuga da guerra: tutores sacrificam e abandonam seus pets em Dubai
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Com bombardeios e bloqueio do espaço aéreo, imigrantes deixam animais em abrigos, nas ruas ou recorrem à eutanásia para conseguir deixar o país
A intensificação do conflito no Oriente Médio desencadeou uma crise de abandono de animais de estimação em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Na tentativa de escapar dos bombardeios do Irã, muitos imigrantes têm deixado seus pets nas ruas ou procurado clínicas veterinárias para realizar a eutanásia de cães e gatos saudáveis. A guerra, iniciada pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro, levou ao bloqueio do espaço aéreo e obrigou a saída por rotas terrestres, o que dificulta o transporte dos animais.

Com o aeroporto de Dubai atingido, a principal alternativa para deixar o país passou a ser atravessar as fronteiras com Omã e Arábia Saudita, com destino final em países europeus. No entanto, muitos tutores afirmam que não conseguem cruzar as fronteiras com os pets por causa das rígidas exigências alfandegárias e dos altos custos de realocação. Diante dessa dificuldade, diversos estrangeiros têm abandonado seus animais no deserto ou amarrados a postes nas áreas urbanas.
'Alguns veterinários até confirmaram que tutores estão vindo para sacrificar animais saudáveis porque não querem lidar com os custos de realocação ou com a burocracia', relatou um voluntário do abrigo The Barking Lot ao jornal britânico 'Telegraph'.
Abrigos lotados e cenas de abandono
As organizações locais dedicadas ao resgate de animais afirmam estar operando muito além da capacidade. A entidade K9 Friends Dubai informou que está sobrecarregada com o número de solicitações de ajuda.
Nas redes sociais, também começaram a circular vídeos mostrando animais deixados sem água ou comida. Um dos casos registrados foi divulgado pelo radialista Parikshit Balochi, que encontrou um cachorro amarrado em uma rua.
'Voluntários em centros de resgate animal relataram centenas de animais abandonados a mais do que o normal, o que está levando os abrigos ao limite', declarou a proprietária do serviço The Barking Lot, Aditi Gouri.
Para a organização beneficente War Paws, que atua no apoio a animais em zonas de conflito armado, o cenário atual repete situações semelhantes já observadas em países como Ucrânia e Iraque.
'Algumas pessoas simplesmente não enxergam os animais de estimação da mesma forma que nós', completou a CEO da entidade, Louise Hastie, destacando a vulnerabilidade dos animais diante do contexto de guerra na região.




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