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Entre Leis & Patas

por: Patrick Araujo

Coluna

Quando a Medicina Veterinária e o Jurídico se unem para garantir o bem - estar animal.

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Em primeiro plano e na penumbra, uma mulher com cabelos escuros puxa levemente uma cortina branca para olhar pela janela. Do lado de fora, em um jardim ensolarado, um homem de costas afasta-se caminhando ao lado de um cão da raça golden retriever.

Quem protege os animais quando ninguém denuncia?

Infelizmente, ainda há muito medo quando o assunto é denunciar maus-tratos. Há quem receie represálias do agressor. Outros acreditam que "isso não vai dar em nada". Alguns preferem não se envolver por considerar que o problema "não é seu".

Um cachorro de porte pequeno a médio, com pelagem preta no dorso e marrom (caramelo) no rosto e nas patas, deitado em um sofá cinza confortável. Ele apoia a cabeça de lado contra uma manta branca felpuda e olha diretamente para a câmera com olhos grandes e expressivos. Ao fundo, há almofadas nos tons de cinza e rosa claro.

Quando o agressor usa o animal para machucar a família

O animal é considerado por muitos como um membro da família. E justamente por reconhecer esse vínculo afetivo, alguns agressores encontram no animal uma forma de exercer poder sobre suas vítimas.

Vista pelas costas de uma pessoa vestindo jaqueta escura e calça jeans, que esconde uma pedra na mão atrás das costas. Ao fundo e fora de foco, um cachorro caramelo de grande porte está deitado no chão de terra batida, parecendo observar a situação de forma vulnerável.

Crimes contra os animais podem esconder algo muito pior

E talvez essa seja uma das maiores lições da medicina veterinária legal: os animais não falam, mas seus corpos contam histórias. Cabe à perícia ouvi-las e à Justiça transformá-las em responsabilização.

Imagem dividida em duas partes mostrando capturas de tela de um vídeo. À esquerda, uma mulher aparece em plano médio vestindo um shorts jeans branco curto e com o tronco parcialmente visível, segurando pequenos pintinhos amarelos vivos na mão. À direita, um plano detalhado foca em sua mão com unhas longas pintadas, segurando e apertando firmemente um dos filhotes perto de seu peito, onde ela usa um colar com pingente dourado em formato de coração.

Quando a crueldade vira negócio — e a punição continua insuficiente

O caso de uma empresária presa por produzir e vender vídeos de tortura e morte de animais, mas que foi colocada em liberdade em seguida. Com isso, fica a pergunta: as leis de proteção animal que temos hoje são realmente eficazes?

Um gato malhado de pelagem marrom e listras pretas deita-se na grama verde ao lado de um filhote de cachorro de pelagem longa nas cores preto, branco e marrom, característico de raças como Pastor Australiano ou Border Collie. O gato usa uma coleira vermelha e olha atentamente para a direita da imagem, enquanto o filhote apoia a cabeça no chão e olha de forma expressiva em direção à câmera, com árvores desfocadas ao fundo sob a luz do sol.

Lei 15.392/2026: um novo capítulo na proteção animal no Brasil?

A nova lei surge em um momento em que a sociedade já não aceita mais enxergar os animais apenas como “coisas” ou “objetos de propriedade”. Cada vez mais, cresce o entendimento de que eles são seres sencientes — capazes de sentir dor, medo, estresse, prazer e sofrimento.

Em um evento oficial com público sentado ao fundo, um homem vestindo terno escuro, camisa branca e gravata clara segura uma camiseta branca em frente ao corpo. A camiseta traz estampada a foto em preto e branco de um cachorro preto com uma auréola desenhada sobre a cabeça, acompanhada do texto em letras garrafais "ORELHA VIVE!".

Decreto Cão Orelha: aumentar a multa basta para frear a crueldade?

Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o chamado “Decreto Cão Orelha”, que aumenta significativamente o valor das multas aplicadas a quem comete maus-tratos contra animais.
Mas fica a pergunta: só aumentar a multa é suficiente para combater a crueldade?

Fachada da entrada de um prédio público com uma estrutura arqueada de mármore escuro acima da recepção, exibindo a inscrição em grandes letras douradas "JUSTIÇA FEDERAL". A entrada conta com colunas cilíndricas escuras e dois vasos com pequenas palmeiras decorativas nas laterais, sob uma iluminação embutida no teto.

Caso Orelha e a federalização: o que isso realmente significa?

Nos últimos meses, parlamentares, entidades de proteção animal e até câmaras municipais de diferentes cidades passaram a pedir que o caso fosse federalizado. Mas afinal, o que significa federalizar um crime?

Um cachorro vira-lata de porte médio a grande, com pelagem mesclada em tons de preto e marrom (estilo capa preta), parado em pé na calçada ao lado de uma casinha de madeira rústica. O cão está de frente, com a boca aberta exibindo a língua rosa em uma expressão dócil e alegre, e sua cauda está levemente levantada para a direita, contra um fundo de rua asfaltada.

Sansão, Orelha e o preço da omissão; quantos mais serão necessários?

Repare que foi preciso um evento extremamente impactante — e cruel — para que houvesse uma mudança na legislação que protege (ou pelo menos deveria proteger) os animais.
Será que a tortura e assassinato do cão comunitário Orelha irão motivar uma nova mudança na legislação de proteção aos animais?

Imagem de uma câmera de segurança noturna mostrando uma rua residencial estreita e asfaltada. Em primeiro plano, um homem vestindo roupas escuras e boné estende o braço direito segurando uma arma de fogo na direção de um pequeno cachorro branco na rua. O reflexo das poças de água no chão e uma viatura policial com luzes azuis piscando ao fundo completam a cena.

A urgência de punições mais firmes contra maus-tratos

Quantos animais ainda precisarão morrer de forma brutal para que a punição deixe de ser simbólica e passe a ser realmente exemplar? A resposta precisa vir com urgência. Porque a vida — seja humana ou animal — não pode continuar valendo tão pouco.

Uma perita criminal vestindo macacão impermeável branco de proteção, máscara facial descartável e luvas cirúrgicas azuis trabalha agachada em uma cena de crime ao ar livre. Ela utiliza uma pinça para coletar cápsulas de bala deflagradas do chão de concreto, posicionando marcadores de evidência numéricos amarelos com os números "1" e "2" ao lado de uma silhueta desenhada com giz branco.

Dia do Perito Criminal e Dia dos Direitos dos Animais

Além do Natal e do Réveillon, dezembro é um mês que reúne duas datas que, embora distintas, dialogam profundamente: o Dia do Perito Criminal, em 4 de dezembro, e o Dia Internacional dos Direitos Animais, em 10 de dezembro.

Um cachorro vira-lata de pelagem longa e marrom senta-se tristemente no acostamento rachado de uma estrada deserta durante o pôr do sol. Ao seu lado, há uma manta velha e uma tigela de comida vazia, enquanto um carro vermelho se afasta ao fundo, sugerindo uma cena de abandono em uma paisagem árida com montanhas distantes.

Fim de ano à vista: quando férias viram abandono

É doloroso, mas verdadeiro: muitos animais acabam nas ruas porque sua existência foi vista como “dispensável” quando o tutor decide sair para passear, viajar ou simplesmente não quer mais arcar com a responsabilidade. E isso não é desatenção — é descaso.

Uma jovem mulher com longos cabelos cacheados, vestindo um vestido rosa claro e botas de couro marrons, está de pé em uma trilha de terra cercada por uma floresta densa e verde. Ela segura suavemente as rédeas e acaricia o focinho de um cavalo da raça Haflinger, que possui pelagem castanha dourada e uma crina longa e cauda de cor branca clara, em um momento de conexão sob raios suaves de sol que filtram entre as árvores ao fundo.

Quando o sofrimento impulsiona a mudança

Infelizmente, parece que no Brasil as leis que protegem os animais só avançam quando uma tragédia choca a sociedade. Foi assim com a Lei Sansão, de 2020, criada após o caso do Pit Bull que teve as patas decepadas.

Imagem capturada em perspectiva de primeira pessoa sobre a cabeça de um cavalo marrom, focando uma estrada de terra à frente. Um burro ou jumento de pelagem clara aparece caído de lado no chão de terra, enquanto um homem usando chapéu está inclinado sobre a cabeça do animal deitado, em uma área rural cercada por vegetação seca nas laterais.

Lei Sansão: e as outras espécies animais ficam para trás?

Em 2020, a Lei Sansão aumentou a pena para maus-tratos para dois a cinco anos de reclusão porém, atualmente há um detalhe incômodo, que poucos percebem até que um caso concreto bata à porta: e quando a vítima não é um cão ou gato?

Foto em plano médio e perfil de um cachorro de grande porte com pelagem escura e tigrada, características marcantes de raças como Cane Corso ou Presa Canario. O cão, que usa uma coleira de corrente metálica, está com o olhar fixo e atento direcionado para a direita, com o rosto e o pescoço iluminados pelos tons dourados da luz do sol poente, contra um fundo de céu claro e suave.

Proibir é proteger? Quando a lei gera abandono

Será que proibir a criação é realmente proteger? Ou estamos apenas empurrando os cães para o abandono e o esquecimento, lavando as mãos com uma falsa sensação de segurança jurídica?

Um cachorro branco de porte médio, com características da raça Pit Bull, veste uma roupinha e um boné xadrez em tons de vermelho e preto enquanto utiliza uma cadeira de rodas preta para cães. O equipamento possui suporte vermelho para o corpo, rodinhas pretas com detalhes de patinhas vermelhas e acomoda as patas traseiras, que estão enfaixadas com ataduras brancas, enquanto ele se apoia nas patas dianteiras sobre um chão de paralelepípedos ao ar livre.

Lei Sansão: quatro anos depois, o que realmente mudou para os nossos pets?

Em 2020, o país inteiro se revoltou com o caso do cão Sansão, um pitbull que teve as patas traseiras decepadas por dois homens em Minas Gerais. A cena cruel correu o Brasil e gerou comoção suficiente para transformar indignação em ação: nasceu ali a Lei Sansão.
Quatro anos depois, vale perguntar: o que realmente mudou na prática?

Um cachorro pequeno, peludo e inteiramente branco, da raça Spitz Alemão ou Samoieda, aparece de perfil dentro da cabine de um avião. Ele está com a boca aberta em uma expressão animada e olha fixamente pela janela da aeronave, que revela a asa do avião voando acima de um mar de nuvens brancas sob um céu azul claro.

Vamos inverter: animais na cabine e humanos no porão. Só assim para entenderem que animais não são bagagem.

Animais podem – e muitas vezes são obrigados – a viajar no porão do avião, enquanto o criminoso mais hediondo – por ser um humano – não pode viajar no porão por ser “desumano e perigoso”.

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