Por que Leona atacou Vaqueirinho? Entenda a reação instintiva da leoa ao ter seu território invadido
- Patrick Araujo

- 2 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Comportamento da leoa foi compatível com o de qualquer grande felino: um ato puramente instintivo diante da invasão de seu espaço

Leona, a leoa que matou Gerson de Melo Machado, de 19 anos, não é mais nem menos agressiva do que outros animais de sua espécie. Gerson, conhecido como Vaqueirinho, tinha transtornos mentais e entrou de forma intencional no recinto da leoa no zoológico de João Pessoa, no domingo. A reação do animal foi exatamente a esperada para qualquer felino selvagem: um instinto automático de defesa diante da invasão de seu território — no caso dela, um espaço restrito onde vive há 19 anos, desde que nasceu em cativeiro.
Leões e demais grandes felinos figuram entre os animais que mais despertam medo nos seres humanos. Muitos especialistas afirmam que o receio do escuro tem origem evolutiva, já que esses predadores costumam ser mais ativos à noite. Hoje, grande parte desse temor se mantém não porque leões sejam caçadores de pessoas na vida moderna, mas devido à longa história de disputas territoriais, episódios de caça e ataques ocasionais ao longo dos séculos.
Atualmente, estima-se que menos de 30 mil leões vivam em liberdade na África, seu habitat de origem. Como ocorre com outros grandes felinos, eles costumam evitar o contato humano na natureza. Isso não muda, porém, o fato de serem predadores extremamente fortes — motivo pelo qual ninguém deve se aproximar deles.
A convivência direta com leões sempre envolve riscos. Mesmo criados em cativeiro, permanecem selvagens, guiados por instintos de caça e comportamento imprevisível. Eles ocupam o topo da cadeia alimentar e ataques podem acontecer, como reforça o estudo “A worldwide perspective on large carnivore attacks on humans” (“Uma perspectiva mundial sobre ataques de grandes carnívoros a humanos”), publicado na revista científica PLOS Biology.
Mesmo quando acostumados à presença humana, esses felinos não deixam de ser animais selvagens. No ambiente natural, geralmente evitam conflito com pessoas por nos perceberem como ameaça maior — mas essa barreira desaparece quando o humano entra no território deles. Nessas circunstâncias, o risco de ataque aumenta significativamente. Leões podem reagir com violência se se sentirem ameaçados, acuados ou provocados, e são capazes de causar ferimentos devastadores com mordidas e golpes das patas.
Um leão tem capacidade de matar uma pessoa em poucos segundos — às vezes em menos de um minuto — com apenas um bote certeiro ou uma mordida fatal. Essa letalidade se deve à combinação de força, velocidade e precisão predatória.
Leões são caçadores natos, e esse comportamento jamais é perdido. Diferente dos demais grandes felinos — tigres, onças-pintadas, leopardos e guepardos —, os leões são os únicos que vivem em sociedade. Enquanto os outros felinos preferem caçar sozinhos e por emboscada, os leões adotam a estratégia de perseguição em grupo.
Um macho adulto pode chegar a aproximadamente 225 quilos, enquanto uma fêmea — como Leona — costuma pesar por volta de 150 quilos. Entre os grandes felinos, apenas o tigre supera o leão em tamanho.








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