Fogos de artifício assustam a maioria dos pets e perigo vai muito além do barulho
- 6 de jan.
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Para cães e gatos, os estampidos são percebidos como ameaça real e podem provocar pânico intenso, acidentes graves e até mortes

O ruído alto e imprevisível dos fogos de artifício, comum em festas de fim de ano e grandes comemorações, representa muito mais do que um simples desconforto para cães e gatos. Para esses animais, o som pode ser interpretado como uma ameaça concreta, capaz de desencadear medo extremo, situações de risco e até levar à morte.
Especialistas explicam que a audição dos pets é significativamente mais aguçada do que a dos humanos, o que amplia os efeitos negativos do barulho. Sons que para as pessoas já são incômodos, para os animais podem ser dolorosos e aterrorizantes.
O medo surge a partir de uma combinação de fatores fisiológicos e comportamentais. A sensibilidade auditiva de cães e gatos permite captar frequências e timbres que não são percebidos pelos humanos. Além da possível dor nos ouvidos, o som forte e repentino é compreendido como um perigo imediato, especialmente por animais com instinto de alerta e proteção mais desenvolvido.

Durante a queima de fogos, os sinais de estresse costumam ser claros e alarmantes. Tremores, desorientação, tentativas de fuga e episódios de pânico estão entre as reações mais frequentes. O estresse intenso pode levar o animal a tremer, buscar colo, apresentar confusão mental, taquicardia e comportamentos de fuga descontrolada.
Em casos mais graves, as consequências podem ser fatais. A agitação extrema pode provocar acidentes, resultando em ferimentos sérios e até óbitos. O risco não se restringe apenas ao momento da celebração: o medo intenso pode deixar sequelas duradouras no comportamento e na saúde dos pets.
Veterinários alertam que, sem o acompanhamento adequado, o trauma provocado pelos fogos pode evoluir para uma fobia permanente, de difícil reversão. Entre os perigos mais recorrentes está a fuga. Em pânico, muitos animais pulam janelas, ficam presos em grades, derrubam móveis pesados ou acabam se ferindo gravemente. Fora de casa, os riscos aumentam ainda mais, com possibilidade de atropelamentos e outros acidentes nas ruas.
Esse cenário também impacta diretamente as clínicas veterinárias. Profissionais relatam um aumento expressivo no número de atendimentos durante períodos de festas, principalmente por ferimentos decorrentes de acidentes. Há registros de casos graves e até mortes provocadas por quedas de sacadas, janelas ou escadas.
Para minimizar os riscos, a principal orientação é investir em prevenção. Medidas simples podem fazer grande diferença durante as comemorações. Manter portas e janelas fechadas ajuda a evitar fugas e a reduzir a intensidade do som. Criar um esconderijo seguro dentro de casa e nunca deixar o pet sozinho também são atitudes fundamentais. Música suave, brinquedos e petiscos podem contribuir para distrair e acalmar o animal.

Criar um ambiente controlado é essencial para transmitir sensação de segurança. Preparar a casa, vedando aberturas e reduzindo o impacto dos estampidos, ajuda o pet a se sentir protegido e mais tranquilo.
Em determinadas situações, pode ser necessário recorrer a tratamentos específicos, sempre com orientação profissional. Qualquer uso de medicamentos deve ser indicado e acompanhado por um médico veterinário após avaliação clínica. A automedicação, além de perigosa, pode agravar o quadro.
A postura do tutor também tem papel decisivo. Não se deve punir, repreender ou agir de forma ríspida com o animal por causa do medo. Forçar o pet a sair do local onde se sente seguro ou levá-lo para a rua durante os fogos aumenta consideravelmente o risco de acidentes.
Para quem pretende passar a virada fora de casa, a recomendação é não deixar o animal sozinho. A ausência de um responsável tende a intensificar a desorientação e o pânico. Nessas situações, cuidadores de confiança ou serviços especializados de hospedagem são alternativas mais seguras.
Por fim, a conscientização coletiva é apontada como um passo essencial para mudar esse cenário. Repensar a forma de comemorar é um gesto de respeito aos animais, cada vez mais reconhecidos como membros da família.




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