Onça-parda invade casa e ataca pitbull na Zona Norte de SP; família vive momentos de terror
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Atualizado: há 2 dias
Suçuarana entrou em uma residência na Serra da Cantareira e entrou em confronto com o cachorro da família; pitbull ficou gravemente ferido, precisou de cirurgia e animal silvestre voltou a aparecer no dia seguinte

Uma família que vive na região da Serra da Cantareira, na Zona Norte de São Paulo, passou por momentos de tensão na madrugada desta quinta-feira (6), depois que uma onça-parda, também conhecida como suçuarana, entrou na residência e atacou o pitbull da casa. O cachorro, chamado Ragnar, ficou gravemente ferido e precisou ser submetido a uma cirurgia de emergência.
A família Ramos, que tem três crianças pequenas, percebeu a presença do animal silvestre durante a madrugada. A situação aconteceu depois das 3h, quando Mirella Ramos se levantou para amamentar a filha de três meses. Nesse momento, Ragnar correu pela residência ao ouvir um barulho vindo do corredor.
A reação chamou a atenção de Mirella, já que o cachorro costuma acompanhá-la pelos diferentes cômodos da casa, independentemente do horário. Pouco depois, ela ouviu um rosnado, semelhante ao som de uma briga, vindo do lado de fora, e chamou o marido para verificar a situação.
Com o corredor ainda sem iluminação, o marido de Mirella percebeu que Ragnar estava brigando, próximo à porta dos fundos, com um animal que não conseguia identificar. Ao tentar puxar o cachorro pela pata para descobrir contra o que ele lutava, percebeu que se tratava de uma onça-parda adulta.
“A primeira reação dele foi trancar a porta e dizer: entra pro quarto com as crianças porque é uma onça. É o Ragnar ou nós”, contou Mirella.
A família acredita que a suçuarana já estivesse dentro da residência quando Ragnar percebeu sua presença.
“Como a onça foi pega pelo Ragnar bem na porta, a gente acredita que ela já estava dentro da nossa casa quando ele sentiu o cheiro e saiu em disparada. Se não fosse ele, uma tragédia podia ter acontecido com as nossas crianças”, afirmou a administradora.
O confronto entre o cão e a onça só terminou quando a filha do meio do casal, de apenas três anos, começou a chorar e pedir que Ragnar retornasse para o quintal.
Depois disso, o cachorro conseguiu se desvencilhar da onça e chegar até outra entrada da residência. A porta foi aberta para que ele pudesse ser retirado e receber socorro.
Câmeras de segurança do condomínio registraram a circulação da onça pelo local algumas horas depois do confronto com o pitbull.
“Como é um condomínio fechado, a gente tinha o hábito de deixar a porta do fundo entreaberta para o Ragnar ir fazer xixi do lado de fora. Nesses seis meses que a gente mora aqui, houve relatos no condomínio da presença de vários animais silvestres, mas da onça só havia comentários aqui e ali de que ela tinha sido vista”, contou.
“A gente nunca ia imaginar que ela iria atacar o nosso cachorro”, declarou Mirella Ramos.
Pitbull ficou gravemente ferido
Ragnar sofreu cortes no rosto provocados pelo ataque da onça e teve até uma veia do coração comprometida. O cachorro precisou passar por uma cirurgia de emergência e continuava sob cuidados veterinários quando a suçuarana voltou a aparecer, no dia seguinte, na escadaria da residência da família.
“Dessa vez a gente tava com tudo trancado. Mas ela já sacou que tem um animal ali que pode ser uma presa. Chamei a segurança do condomínio, mas eles só vieram com um segurança de moto. O que um cara sozinho vai conseguir fazer contra uma onça-parda, meu Deus?”, desabafou.
Mirella contou que entrou em contato com o serviço florestal e com a Defesa Civil municipal, mas não conseguiu obter assistência para solucionar a situação.
“Depois do ataque, os vizinhos já abriram mais de 20 chamados, mas a Defesa Civil disse que só pode ir até lá se há um número grande de pedidos. Eles não dizem o que é um número grande. Mas estou apavorada, com medo dela voltar e surpreender algum de nós novamente chegando em casa”, contou.
A família levou quase cinco anos para construir a residência dos sonhos, planejada para criar as três filhas em contato com a natureza e distante do movimento da metrópole.
Diante da permanência da onça na região, porém, Mirella já considera até mesmo deixar o imóvel caso o animal não seja localizado e encaminhado para um local apropriado.
“Vai ser muito difícil pra gente continuar morando aqui se essa onça não for encontrada e levada para um local mais adequado. Nós estamos apavorados e queremos que alguma autoridade tome alguma providência”, disse ela.
Ragnar precisa de uma segunda cirurgia
O pitbull levou 32 pontos na cabeça, perdeu as funções do lado esquerdo do rosto e também parte da gengiva em consequência do ataque.

Ragnar ainda precisa passar por uma segunda cirurgia. Até o momento, a família já gastou quase R$ 10 mil com o tratamento do animal.
Os tutores chegaram a criar uma vaquinha online para tentar arrecadar parte dos recursos necessários para manter o cachorro internado em uma clínica de reabilitação. No entanto, não conseguiram reunir o dinheiro necessário para custear o tratamento, e Ragnar está recebendo medicação em casa.
“O Ragnar foi um pedido da minha filha mais velha, que sempre quis ter um pitbull. Ele é treinado, mas um bobão com as crianças dentro de casa. Dorme com as crianças, brinca e protege as meninas pequenas. A família está sofrendo muito com as condições de saúde dele, infelizmente”, disse a tutora do animal.

Na descrição da campanha de arrecadação, a família afirma que Ragnar foi responsável por evitar que o episódio tivesse um desfecho ainda mais grave.
“Ele realmente foi um herói. A gente acha que ele sentiu o cheiro de algo diferente dentro de casa e foi pra cima. Defendeu a gente com toda sua força, mesmo em desvantagem de força, tamanho e instinto. Todo sacrifício por ele não será em vão. Mas, além do tratamento, a gente quer uma solução para a presença da onça dentro do condomínio”, disse Mirella Ramos.
Família afirma não ter recebido ajuda
Segundo Mirella, os moradores do condomínio já registraram mais de 20 chamados após o ataque. A família teme que a onça volte a entrar nas residências ou surpreenda algum morador durante a circulação pelo condomínio.
A situação preocupa especialmente porque o animal silvestre voltou a ser visto nas proximidades da casa no dia seguinte ao ataque.
O que diz a Prefeitura de São Paulo
"A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) e da Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU), informa que a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e Divisão da Fauna Silvestre (DFS) não foram acionadas para essa ocorrência. Diante do caso, a DFS apurará os fatos.
As pastas orientam a população que, ao se deparar com animais silvestres, estejam eles feridos ou em situação de risco, não tente capturá-los ou afastá-los por conta própria. O munícipe deve acionar imediatamente a Guarda Civil Metropolitana (GCM), pelo telefone 153, ou a Divisão da Fauna Silvestre (DFS) da SVMA, pelo WhatsApp (11) 95220-0219, disponível diariamente das 8h às 17h. As equipes técnicas fornecerão as informações adequadas para lidar com a situação com segurança e, em casos de necessidade de manejo do animal, equipes especializadas da GCM atuarão na remoção segura do animal.







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