SAÚDE PET
Quando o cachorro fica esfregando o rosto no chão ou na pata: O que pode ser?
O comportamento parece inocente, mas quando frequente e acompanhado de outros sinais, pode revelar alergias, infecções, dor ou distúrbios psicológicos. Veterinários explicam as causas e o que fazer
16 de set. de 2026
7 min de leitura
Redação Pet Mania e Dr Frederico Bastos

Como os pets não falam, cabe ao tutor desenvolver um olhar atento para decifrar o que cada comportamento quer dizer. Um dos gestos mais corriqueiros — e também mais mal interpretados — é quando o cão esfrega o rosto no chão ou na pata. À primeira vista parece que ele está apenas coçando a cabeça. Mas pode ser muito mais do que isso.
De acordo com o médico-veterinário Dr. Frederico Bastos, quando o gesto acontece com frequência, ele pode indicar coceira ou irritação na região.
Mas irritação não é a única explicação. O comportamento também pode ter motivações territoriais, emocionais ou sociais — e entender qual está em jogo faz toda a diferença na hora de saber se é preciso agir.
Por que os cães esfregam o rosto no chão

Uma das razões que muitos tutores desconhecem tem a ver com marcação de território. Os cães possuem glândulas odoríferas nas bochechas, que liberam um odor característico. "Ao esfregar o rosto no chão, eles deixam sua marca olfativa em um determinado território", conta Frederico Bastos.
Outra motivação possível é o alívio do estresse: o ato de esfregar o rosto pode estimular a liberação de endorfinas no cérebro do animal, contribuindo para acalmá-lo em situações de desconforto ou tensão.
Há ainda a questão da higiene. Segundo Bastos: "Eles também podem esfregar o rosto no chão para se limpar. Isso pode ser especialmente comum em raças com focinhos achatados, como os buldogues e pugs, que costumam ter dificuldade em limpar as dobrinhas de pele em torno do focinho."
Problemas de saúde que podem estar por trás do comportamento
O ato de esfregar o rosto pode ser o indicativo de diversas complicações de saúde, tais como:
Infecções no nariz, boca, garganta ou olhos — que provocam irritação, coceira e desconforto intenso;
Alergias, que irritam nariz, boca ou olhos. Elas são geralmente causadas por alimentos, pólen, ácaros, entre outros;
Parasitas como pulgas, carrapatos e ácaros, que desencadeiam coceira intensa no focinho e em outras regiões do corpo;
Problemas dentários como cáries, infecções e gengivite, que causam desconforto na boca e levam o cão a esfregar o focinho em busca de alívio;
Infecções oculares — como conjuntivite — ou irritações causadas por corpos estranhos nos olhos;
Doenças respiratórias como sinusite, rinite ou pneumonia, que irritam o nariz e os seios da face.
E há ainda um grupo menos óbvio de causas. "Alguns problemas neurológicos, como convulsões ou tumores cerebrais, podem causar comportamentos repetitivos, incluindo esfregar o focinho no chão ou em objetos, como uma parede", acrescenta o médico-veterinário.

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Outros comportamentos que podem indicar doenças
A leitura dos sinais do cão vai além do rosto esfregado. Outros comportamentos podem indicar tanto distúrbios físicos quanto psicológicos — e o estresse é um gatilho frequente para ambos.
No campo físico, o especialista cita doenças como a osteoartrite, que causam dor crônica mas passam despercebidas com facilidade. "A dor muitas vezes passa despercebida pelos tutores, pois os cães, por uma questão de sobrevivência, não demonstram", explica.
Já no campo emocional, o tédio e a privação de estímulos são vilões frequentes. "Devemos lembrar que cães na natureza passam o dia interagindo uns com os outros na matilha, caminhando longas distâncias, explorando e caçando. Quando não é possível fazer isso, o animal se sente frustrado e ansioso", explica o médico-veterinário.
O que fazer

A melhor estratégia, independentemente de o cão apresentar ou não sintomas, é levá-lo a consultas e exames de check-up ao menos uma vez por ano. À medida que o animal envelhece, esse intervalo pode ser reduzido para seis meses.
O tutor também deve investir no enriquecimento ambiental e, se for o caso, melhorar a rotina do cão, para prevenir distúrbios comportamentais e sofrimento.
Se o comportamento for esporádico, não há motivo de alarme — é algo que pode ser completamente normal. A atenção deve aumentar quando a frequência crescer e outros sintomas aparecerem.
Diante de qualquer mudança comportamental persistente, é fundamental buscar um especialista em comportamento para avaliação e orientações de tratamento. É ele quem vai investigar se a causa é física, psicológica ou a combinação dos dois fatores, e estabelecer o prognóstico e o protocolo mais adequado.






