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SAÚDE PET

Sem tratamento e quase sempre fatal: entenda tudo sobre o vírus da raiva e como manter humanos e pets protegidos

A confirmação de um caso em um gato doméstico em Campinas (SP) reacendeu o alerta para uma doença que muitos achavam superada. Entenda como o vírus é transmitido, quais são os sinais em animais e humanos, o que fazer após uma mordida e por que vacinar continua sendo a única saída

15 de ago. de 2026

7 min de leitura

Redação Pet Mania

Imagine acordar e encontrar um morcego dentro de casa. Seu gato, curioso por natureza, já o cercou e tenta brincar com ele. A cena pode parecer incomum, mas é justamente esse tipo de contato que mantém a raiva como uma ameaça silenciosa. A confirmação recente de um caso de raiva em um gato no município de Campinas (SP) reacendeu um alerta que muitos acreditavam pertencer ao passado.


Embora os registros da doença em cães e gatos tenham recuado de forma expressiva graças às campanhas de vacinação em massa, o vírus continua ativo entre animais silvestres — especialmente morcegos —, representando risco real tanto para os animais domésticos quanto para os seres humanos.


O que é a raiva

A raiva é uma doença infecciosa viral aguda e grave, que compromete o sistema nervoso central e é fatal em praticamente 100% dos casos. Acomete exclusivamente mamíferos — inclusive o ser humano — e sua transmissão ocorre pelo contato com o vírus presente na saliva do animal infectado, seja por mordida, lambida ou arranhão. Por ser transmissível entre animais e humanos, a raiva é classificada como zoonose.


Como ocorre a transmissão

Qualquer mamífero pode ser infectado e transmitir a raiva. A contaminação acontece quando o vírus — presente na saliva do animal doente — penetra no organismo por meio de mordedura, arranhadura ou lambedura em pele lesionada ou mucosas.



Atenção: A transmissão NÃO ocorre por objetos ou alimentos. O vírus não sobrevive no meio ambiente, sendo eliminado rapidamente quando exposto à luz solar ou quando a saliva contaminada seca.


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Como o vírus age no organismo

O vírus da raiva pertence ao gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae. Após a infecção, ele atinge as terminações nervosas periféricas e avança progressivamente até o sistema nervoso central — cérebro e medula espinhal. Ao alcançar o cérebro, desencadeia uma encefalite de desfecho fatal em praticamente todos os casos.


Sinais clínicos nos animais



Quando infectados, os animais tendem a apresentar sinais associados ao mau funcionamento do sistema nervoso. Os principais são:

  • Mudanças de comportamento: agressividade, agitação e desobediência;

  • Opistótono: postura anormal com rigidez e arqueamento do corpo, mantendo pescoço e cabeça inclinados para trás;

  • Fotofobia: aversão intensa à luz natural ou artificial;

  • Dificuldade para engolir e salivação excessiva, causando espuma na boca;

  • Hipersensibilidade;

  • Andar cambaleante;

  • Paralisia;


Sinais clínicos em humanos

Entre os sinais mais característicos em humanos, destacam-se as alterações de comportamento (irritabilidade e inquietude), salivação intensa, espasmos ao ver ou tentar beber líquidos, fotofobia (aversão à luz), dores de cabeça e nos membros inferiores, febre, alucinações e uma sensação de angústia.


Existe tratamento?

Não. A altíssima letalidade da raiva se deve ao fato de o vírus infectar diretamente o tecido nervoso — e não existir até hoje qualquer tratamento capaz de destruí-lo ou de impedir sua multiplicação no organismo.


O que fazer após uma mordida ou arranhão

Se o animal foi mordido ou agredido: o primeiro passo é contatar um médico-veterinário com urgência para que os exames necessários sejam realizados. Também é preciso notificar a Unidade de Vigilância de Zoonoses responsável pela área onde o animal suspeito se encontra, para que sejam adotadas as medidas cabíveis — quarentena e exames diagnósticos. Em caso de confirmação da doença, a unidade é responsável por acionar as autoridades da região.


Se uma pessoa foi mordida, arranhada ou teve contato com animal suspeito — seja cão, gato, morcego ou outro silvestre —, as orientações são:

  • Lave imediatamente o ferimento com água corrente e sabão;

  • Procure o mais rápido possível uma Unidade de Saúde para receber as orientações adequadas. Nunca interromper o tratamento preventivo sem autorização médica;

  • Não mate o animal agressor: deixe-o em observação por 10 dias, oferecendo água e alimentação normalmente, em local seguro, para que não fuja nem ataque outras pessoas ou animais;

  • Se o animal apresentar mudança de comportamento, adoecer ou desaparecer durante o período de observação — ou se não for possível monitorá-lo — acione o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ);

  • Se o animal vier a óbito, informe o CCZ imediatamente. Uma equipe será enviada para recolher a carcaça e encaminhá-la para a realização do exame diagnóstico de raiva.


Como prevenir — e quem deve se vacinar com prioridade

A principal e mais eficaz ferramenta de prevenção da raiva continua sendo a vacinação anual dos animais domésticos — inclusive os rurais. Além disso, a vacina antirrábica é indicada como profilaxia pré-exposição para pessoas que, por causa de suas atividades profissionais, estão expostas continuamente ao risco de contaminação Dentre eles estão: médicos-veterinários, biólogos, profissionais que atuam na captura, contenção e manejo de mamíferos domésticos, de produção ou silvestres — inclusive funcionários de zoológicos, guias de ecoturismo e pescadores.

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