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Afinal, como os juízes escolhem os vencedores em uma exposição animal?

Julgamento técnico, padrões da raça e anos de estudo: conheça os bastidores da avaliação que define os campeões felinos

Quem visita uma exposição de gatos pela primeira vez costuma fazer a mesma pergunta: afinal, o que faz um gato vencer uma exposição? Será que é o gato mais bonito que vence?


Para quem observa de fora, pode parecer uma simples disputa de beleza. Mas a realidade é bem diferente. O julgamento realizado em exposições internacionais segue critérios técnicos rigorosos, baseados em padrões raciais reconhecidos internacionalmente.


Foto: Acervo
Foto: Acervo

Durante a 13ª e a 14ª Exposições Internacionais de Gatos de Raça, realizadas pelo Rio Cat Clube, o Pet Mania conversou com a presidente da entidade, Daniella Sother, e com o juiz internacional Hugo Cavalheiro para entender como funciona o processo que escolhe os melhores gatos da competição.


Muito mais que um concurso de beleza

Segundo Daniella Sother, presidente do Rio Cat Clube, cada exposição funciona como uma etapa dentro de um sistema de certificações e títulos.


"Nós temos duas exposições esse final de semana. Uma hoje, no sábado, e uma que vai acontecer no domingo. Hoje a gente aqui tem uma avaliação maior, porque é o best-in-show. A gente tem várias raças competindo. São cinco categorias. São 34 best-in-shows. Esse gato vai ser o melhor daquela categoria, não só da raça."

Foto: Acervo
Foto: Acervo

Ao contrário do que muitos imaginam, um gato que não conquista um prêmio principal não está necessariamente fora dos padrões da raça.


"Os outros gatos que não chegaram a best-in-show não significam que estejam eliminados ou não estão aptos a continuarem fazendo parte de uma criação."

Durante os julgamentos, os animais recebem certificados que podem ser utilizados para a conquista de títulos ao longo da carreira.


"Vou dar um exemplo do filhote: ele precisa de três certificados para se tornar um campeão", conta Daniella.


Dependendo da categoria e do título pretendido, o número de certificados exigidos pode ser ainda maior.


O que é o Best in Show?

O momento mais aguardado da exposição é o chamado Best in Show.


Trata-se da etapa final em que os melhores gatos selecionados pelos juízes disputam o título máximo dentro de suas respectivas categorias.


Antes de chegar a essa fase, porém, os animais passam por diversas etapas eliminatórias.


Segundo Hugo Cavalheiro, o sistema funciona como uma grande pirâmide de seleção: "Um julgamento ou uma exposição de gatos, ela é como se fosse uma seleção, uma pirâmide."


Foto: Acervo
Foto: Acervo

Como os gatos são divididos

A competição começa com a separação dos animais em categorias.


Os gatos são agrupados de acordo com características físicas, como tipo de pelagem, estrutura corporal e padrão racial.


Dentro dessas categorias existem ainda subdivisões por idade, sexo e condição reprodutiva.


Filhotes, adultos, machos, fêmeas, castrados e não castrados competem separadamente.


"Um persa não vai disputar com um maine coon, porque o persa é da categoria 1 e o maine coon da categoria 2."

Essa divisão busca garantir uma avaliação justa entre animais com características semelhantes.


Afinal, o que os juízes avaliam?

Foto: Acervo
Foto: Acervo

A resposta é simples: padrão racial.


Cada raça possui um documento técnico que descreve detalhadamente as características consideradas ideais.


Formato da cabeça, tamanho das orelhas, estrutura corporal, textura da pelagem, formato dos olhos e proporções gerais são alguns dos critérios analisados.


Para ilustrar, ele comparou o processo ao julgamento de cães de raça: "Um pastor alemão que não tem aquelas orelhas para cima pode ser um cão bonito, mas não está fazendo o que a raça pede."


O mesmo acontece com os felinos.


Um Bengal, por exemplo, deve apresentar as marcações características que lembram um pequeno leopardo. Já um Maine Coon precisa exibir as características previstas para a raça em seu padrão oficial.


Nem sempre o maior vence

Uma das revelações mais interessantes para o público é que tamanho nem sempre significa vantagem.


Segundo Hugo, muitas disputas são decididas por pequenos detalhes técnicos: "Às vezes são detalhes. Um tem um detalhe, o outro tem outro detalhe. Mas às vezes aquele detalhe pesa mais."


Ele cita o exemplo do Maine Coon:


"No padrão da raça Maine Coon, são 25 pontos para a cabeça e o corpo são 20. Se um Maine Coon, o corpo é melhor de um, e o outro é melhor a cabeça, eu vou ficar com a cabeça que vale mais pontos."

Foto: Acervo
Foto: Acervo

É justamente por isso que, em muitos casos, um gato aparentemente mais impressionante para o público não é necessariamente o vencedor da categoria.


E os gatos sem raça definida?

Foto: Acervo
Foto: Acervo

Uma das surpresas para muitos visitantes é descobrir que gatos sem raça definida também participam da exposição.


Conhecidos internacionalmente como House Cats, eles possuem categorias próprias de avaliação.


"O SRD parece não ter padrão, mas tem."

Segundo Hugo, a análise leva em consideração aspectos como proporcionalidade corporal, qualidade da pelagem, condição física e temperamento. "A docilidade de temperamento pesa muito para um house cat", revela o juiz.


A participação dos SRDs também é incentivada pela organização. "A gente abraça a causa", afirmou Daniella.


Segundo ela, qualquer tutor interessado pode buscar orientações junto ao Rio Cat Clube para participar de futuras exposições.


O bem-estar vem em primeiro lugar

Uma das dúvidas mais frequentes entre visitantes diz respeito ao estresse dos animais durante as competições.


Segundo Daniella, os gatos participantes passam por um processo de socialização e manejo desde cedo: "São gatos que são realmente extremamente mimados, bem cuidados."


Hugo reforça que o bem-estar é prioridade durante todo o julgamento: "Tem que ser. O gato é desclassificado se for um gato que está incomodado ali."


Animais excessivamente assustados, agressivos ou incapazes de serem manipulados pelos juízes podem ser retirados da competição.


Os gatos permanecem em áreas protegidas, descansam entre os julgamentos e são constantemente monitorados por seus tutores.


Foto: Acervo


Foto: Acervo

"Os gatos estão em tocas, não estão em gaiolas. Mas eles estão tranquilos, dormindo."

O longo caminho para se tornar juiz

Foto: Acervo
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Se conquistar um título felino exige dedicação, tornar-se juiz internacional é um desafio ainda maior.


Segundo Hugo Cavalheiro, o processo pode levar muitos anos.


Para iniciar a formação, é necessário ser criador, possuir gatos titulados, atuar como auxiliar de juízes em diversas exposições e passar por provas específicas.


"Se você estudar direto, direto, direto, no mínimo são 7 anos para se formar em todas as categorias."

Um tempo de preparação comparável ao de uma graduação universitária.


"Ou seja, é praticamente uma faculdade."


Um mundo complexo e encantador

Para quem vê apenas os troféus e as premiações, a exposição pode parecer apenas uma celebração da beleza felina.


Foto: Acervo
Foto: Acervo

Mas por trás de cada julgamento existe um trabalho que envolve genética, seleção responsável, conhecimento técnico e anos de dedicação de criadores, expositores e juízes.

Como resumiu Daniella Sother: "É um mundo complexo, mas é um mundo encantador."

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