COMPORTAMENTO E BEM-ESTAR
Rotina, afeto e companhia: como um American Bully ajuda tutor a enfrentar os desafios do TDAH
Tutor conta como a convivência com a cadela Hera ajudou a transformar sua saúde emocional e a quebrar preconceitos sobre a raça American Bully
27 de jul. de 2026
7 min de leitura
Redação Pet Mania e Felipe Rodrigues

A relação entre humanos e animais vai muito além da companhia. Para muitas pessoas, os pets se tornam apoio emocional, ajudam na construção de rotina e até contribuem para a saúde mental. É exatamente isso que acontece na vida de Felipe Ferreira Rodrigues, tutor da cadela Hera, uma American Bully que, há quase quatro anos, se tornou peça fundamental no enfrentamento dos desafios causados pelo Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
“Ela me ensinou que tudo tem seu tempo e que não adianta nos afobarmos. A amizade é tudo!”
O TDAH é um transtorno neurobiológico marcado principalmente por desatenção, impulsividade e hiperatividade. Os sintomas podem acompanhar a pessoa por toda a vida e impactar atividades simples do cotidiano, como manter o foco, organizar tarefas e seguir uma rotina.
No caso de Felipe, a convivência com Hera ajudou justamente nesses pontos. Segundo ele, os sintomas aparecem principalmente na dificuldade de concentração e aprendizado. “Falta concentração para aprendizado e distração”, revela.
Mas a presença da cadela passou a funcionar como um suporte emocional constante. Felipe conta que Hera percebe facilmente quando ele não está bem e tenta mudar seu foco. “Quando estou desanimado ela sempre fica junto comigo tentando mudar meu foco pra ela”, relata.
O papel dos animais na saúde mental
Estudos já demonstraram que animais de estimação podem ajudar na redução da ansiedade, do estresse e da depressão. Em casos de TDAH, a criação de uma rotina de cuidados com o animal também pode trazer benefícios importantes.
Passeios, horários de alimentação, brincadeiras e atenção diária ajudam a criar disciplina e organização — algo que costuma ser um desafio para pessoas com o transtorno.
Com Hera, isso acontece naturalmente. Felipe explica que a cadela até o ajuda a manter horários e perceber situações fora do comum no ambiente. “Ela me avisa sobre horários de alimentação dela ou até mesmo quando tem fumaça ou coisas fora do padrão do dia a dia”, conta.

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A convivência também trouxe mudanças emocionais significativas. Segundo o tutor, antes da chegada da cadela ele enfrentava períodos mais difíceis ligados à frustração de não entender algumas limitações causadas pelo transtorno.

“Eu sempre fui mais deprimido por não entender o motivo de certas dificuldades e ela chegou e sempre que me vê assim ela vem puxar minha atenção pra ela”, afirma.
Rotina, vínculo e qualidade de vida
Especialistas apontam que animais de apoio emocional podem ajudar pessoas com TDAH justamente por incentivarem a criação de hábitos e responsabilidades diárias.
Além da rotina, existe também o impacto afetivo. Cães oferecem companhia constante, interação social e uma sensação de acolhimento que muitas vezes faz diferença em momentos de crise emocional.
Felipe acredita que o vínculo com Hera funciona, sim, como uma forma de terapia. E as atividades mais simples acabam sendo as mais importantes para o bem-estar dele. “Passeios e brincadeiras”, diz ao falar dos momentos que mais o ajudam no dia a dia.
Preconceito contra a raça ainda é um desafio
Além de falar sobre saúde mental, a história de Felipe e Hera também ajuda a quebrar estigmas envolvendo cães da raça American Bully, frequentemente confundidos com Pit Bulls e vistos de forma negativa por parte da população.
Felipe afirma já ter enfrentado preconceito por causa da aparência da cadela. “Sim as pessoas pensam que ela é um Pit Bull, são cães com temperamentos diferentes, o Pit Bull não é um animal agressivo e sim com muita energia que tem que saber administrar.”
Segundo ele, o maior erro das pessoas é julgar o comportamento pela aparência física. “A aparência de cão bravo”, resume.
Na prática, porém, Hera demonstra exatamente o oposto da fama que muitos associam aos cães do grupo bully. Felipe conta que ela é extremamente tranquila e evita conflitos, mesmo em situações de ataque por outros animais. “Ela é muito tranquila, nunca teve problema de brigas com outros cães, já aconteceu várias vezes dela ser atacada por outros cães e ela só sair de perto.”
Para ele, o contato direto com esses cães ajuda a mudar a visão das pessoas sobre a raça. “Quando as pessoas conhecem acabam amando por acharem ela linda e pelo temperamento dela muito dócil.”
Mais do que companhia
A convivência com Hera também trouxe aprendizados pessoais importantes para Felipe. Entre eles, paciência, equilíbrio emocional e autocontrole. “Ela me ensinou que tudo tem seu tempo e que não adianta nos afobarmos. A amizade é tudo!”, destaca.

Ao falar sobre adoção e convivência com cães, Felipe deixa uma mensagem direta para quem pensa em ter um animal, especialmente raças que costumam sofrer preconceito.
“Pesquisem sobre as raças antes de comprar e sejam bastante amorosos na criação.”
E para quem ainda duvida do impacto que um cão pode ter na vida de alguém, ele responde de forma simples: “Acredite pois quando você acredita tudo dá certo.”



