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O animal que sobrevive a tudo: Estudo revela como tardígrados “desligam” o corpo para não morrer

20 de jun. de 2025
2 min de leitura

Microscópico e resistente, o tardígrado entra em estado de dormência extrema para sobreviver a condições fatais para quase qualquer ser vivo.



Com menos de um milímetro de comprimento, aparência curiosa e uma resistência fora do comum, os tardígrados — também chamados de ursos-d’água — são um dos organismos mais intrigantes do planeta. Esses seres microscópicos foram encontrados em praticamente todos os ambientes da Terra: do fundo dos oceanos ao topo das montanhas.


Eles chamam a atenção da ciência porque conseguem sobreviver a situações extremas que seriam fatais para outros seres vivos. Entre os desafios superados pelos tardígrados estão temperaturas congelantes ou escaldantes, falta de oxigênio, radiação do espaço, desidratação extrema e até o vácuo espacial.



Animação suspensa: o segredo da sobrevivência


O segredo está em sua capacidade de entrar em animação suspensa — um estado em que seu metabolismo é praticamente desligado, permitindo que o corpo resista por longos períodos em ambientes inóspitos.



Um estudo recente, publicado na revista PLOS ONE, revelou como esse processo é desencadeado. Segundo os cientistas Derrick Kolling e Leslie Hicks, da Universidade da Carolina do Norte, tudo começa com um aminoácido específico: a cisteína.


Esse composto reage com radicais livres — moléculas instáveis geradas em situações de estresse, como frio extremo ou excesso de sal — e dá início a uma reação em cadeia que altera proteínas e ativa o estado de dormência nos tardígrados.


Em laboratório, ao bloquear a ação da cisteína, os pesquisadores observaram que os tardígrados não conseguiam mais identificar o ambiente hostil e, por consequência, não ativavam o “modo de sobrevivência”.



Sobreviventes de extinções em massa


Esse “sensor biológico” ajuda a explicar como os tardígrados conseguiram sobreviver a todos os cinco grandes eventos de extinção em massa do planeta, permanecendo praticamente inalterados desde antes da era dos dinossauros.



Além do fascínio científico, a descoberta tem potencial para aplicações humanas. Compreender os mecanismos que permitem aos tardígrados protegerem suas células contra danos extremos pode oferecer pistas sobre o envelhecimento celular, tratamentos de doenças degenerativas e até sobre os impactos das viagens espaciais prolongadas no corpo humano.

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