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comportamento e bem-estar

Será que os animais sentem luto pelos seus filhotes?

Tanatologia comparada investiga se macacos, elefantes e peixes-bois sentem a perda de seus filhotes ou se apenas seguem o instinto

02/11/26

5 min de leitura

Redação Pet Mania

Uma macaca adulta sentada em um chão de terra avermelhada, segurando um filhote nos braços enquanto olha para cima com a boca aberta, em uma expressão que parece um grito ou lamento

Carregar um filhote sem vida por 90 dias não tem explicação puramente prática. Esse cuidado prolongado, observado em macacas, é um dos comportamentos que levam cientistas a perguntar se os animais sentem luto como nós. A pesquisa em espécies como macacos, elefantes e até peixes-bois ainda não tem resposta definitiva, mas já mostra que a relação dos bichos com a morte é bem mais complexa do que se imaginava.


O que os cientistas observam

Dois babuínos em área de mata; um filhote agarra-se às costas de um adulto enquanto outro caminha ao lado.
Mãe carregando o corpo do seu filhote, já sem vida | Foto: Alecia J. Carter/Royal Society

Ver uma mãe macaca carregar o filhote sem vida por dias, ou elefantes “velando” corpos com folhas, sugere algo além do instinto.


Primatologistas notam que esse apego persiste mesmo quando a prática atrapalha a sobrevivência da mãe. É um hábito que intriga.


90 dias

é o tempo no qual algumas mães continuam a transportar o corpo do filhote


A pesquisadora Irene Delval chama esse comportamento de “protoluto”. Em entrevista ao Jornal da USP, ela explicou:


“Há uma dissonância cognitiva por conta do vínculo de apego”, Irene Delval, pesquisadora, ao Jornal da USP

Na prática, o laço emocional continua forte mesmo depois da perda.


Luto de bicho é igual ao nosso?

Pug caramelo repousa sobre colcha azul e branca, olhando com expressão triste e sonolenta em ambiente interno acolhedor.
A relação dos animais com a morte ainda guarda muitos segredos | Foto: Unsplash

Não exatamente. O luto humano inclui choro e rituais, enquanto os animais reagem de outras formas: macacos podem catar o corpo ou vocalizar de modo distinto depois da perda. As manifestações são variadas.


E dá para dizer que eles sofrem? Para Irene, a cautela é necessária: “Não podemos afirmar que seja sofrimento, seria uma interpretação”


Mesmo assim, sintomas como estresse e perda de apetite já foram notados em primatas enlutados.


Atenção ao “efeito Disney”

Macaco babuíno de boca escancarada, bocejando, em close-up contra fundo verde desfocado.
Mostrar os dentes pode ser um sinal de ameaça | Foto: Magnific

Cientistas alertam sobre o risco de projetar emoções humanas nos animais. Mostrar os dentes em macacos, por exemplo, não é sorriso, é ameaça. Por outro lado, ignorar as semelhanças evolutivas também é um erro, já que compartilhamos traços com esses bichos. O segredo é o equilíbrio na análise.


A ciência segue investigando

As respostas estão sendo buscadas na tanatologia comparada, área que estuda o comportamento diante da morte em diversas espécies. A relação dos animais com a morte ainda guarda muitos segredos a revelar.



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Filhote de cachorro preto e marrom deitado no chão, olhando cansado, em ambiente interno com fundo desfocado.

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