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Cães farejadores do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais: como eles encontram vítimas em meio ao caos

Treinados por até dois anos, os cães do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais são peças-chave em buscas por desaparecidos, em soterramentos e em grandes desastres, usando uma capacidade que nenhuma tecnologia conseguiu substituir: seu olfato

Para responder a todas as dúvidas e curiosidades dos nossos leitores, conversamos com o Capitão Lucas Silva Costa, Comandante da Companhia de Busca, Resgate e Salvamento com Cães, que nos contou como é o treinamento desses cães que, além de companheiros, são heróis dedicados na busca e salvamento de nós humanos.


Foto: Divulgação/ CBMMG
Foto: Divulgação/ CBMMG

Em operações de busca e resgate, especialmente em cenários de desastres, o faro de um cão pode significar a diferença entre encontrar uma vítima a tempo ou perder pistas preciosas. No Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), os cães farejadores são aliados indispensáveis em ocorrências que vão desde pessoas perdidas em áreas de mata até grandes tragédias, como desabamentos, soterramentos e rompimentos de barragens.


Agilidade que faz a diferença

Em cenários de soterramento ou desabamento, o faro canino alcança o que os olhos e os equipamentos não conseguem. “Além disso, no caso de um desabamento e soterramento, os cães vão localizar uma vítima que ninguém consegue ver, ou seja, apenas com o faro ele consegue indicar a localização da vítima”, revela o Capitão Lucas Silva Costa, Comandante da Companhia de Busca, Resgate e Salvamento com Cães


Tipos de treinamento: odor genérico e odor específico

Dentro do CBMMG, os cães podem ser treinados em duas modalidades distintas: o KSAR e o Mantrailing. A primeira é a busca por odor genérico, conhecida como KSAR. “Essa técnica consiste em localizar qualquer odor de seres humanos, seja vivo ou morto, e em qualquer ambiente de busca como busca em mata, soterramento e desabamento”, detalha o Comandante.


Cães que buscam vivos e mortos

A maioria dos cães do CBMMG é treinada para localizar tanto pessoas vivas quanto restos mortais. “Mas o treinamento e a formação do cão para busca de vivo é bem diferente que a busca por restos mortais”, ressalta o Capitão.

Jornal Digital

Confira essa matéria completa na

edição de fevereiro do Jornal Digital.



Como o cão sinaliza uma vítima

Foto: Divulgação/ CBMMG
Foto: Divulgação/ CBMMG

Em operações reais, a indicação do cão — para vítimas vivas ou mortas — é sempre a mesma. “A sinalização treinada para os cães de busca e salvamento é sempre o latido”, explica o Comandante. “O latido vai indicar para o condutor que o cão encontrou algo, cabendo ao militar finalizar a busca para verificar o motivo da sinalização”.


Mitos e a importância do trabalho para as famílias

Para o Comandante, ainda há muitos equívocos sobre o tema. Ele lembra que, infelizmente, desaparecimentos e mortes acontecem. “É comum as ocorrências de pessoas desaparecidas em mata e, infelizmente, acontecem desastres que tiram a vida das pessoas”.


Mesmo com avanços tecnológicos, nada substituiu o faro canino. “O ser humano desenvolveu diversos equipamentos e tecnologias para auxiliar na busca dessas vítimas, mas, até hoje, não existe nenhum equipamento que consiga substituir a eficiência do olfato do cão”.


A localização de corpos também tem um papel fundamental no processo de luto. “A aflição dos parentes e amigos da pessoa desaparecida é grande até que o corpo seja encontrado”, afirma. “Dessa forma, dar respeito a essas famílias e a vítima é extremamente importante”.


Ele conclui destacando a missão dos bombeiros. “Por isso, o corpo de bombeiros recupera o corpo de pessoas em locais de difícil acesso, afogados e em qualquer local onde esteja a vítima. Somente assim, as famílias conseguem se recompor melhor da perda de uma pessoa próxima e finalizar a fase do luto”.


Um trabalho sério, antigo e feito com cuidado

Os treinamentos, além de sempre atualizados, seguem padrões internacionais. “Em todo o mundo, existem cães que realizam esse tipo de busca. Os treinamentos, em qualquer lugar do planeta, são semelhantes. Temos militares com formação no exterior e mantemos nossa doutrina atualizada”.

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