top of page
Um cachorro da raça golden retriever, vestindo um colete de assistência preto com o crachá "TERAPEUTA", está deitado sobre uma maca de hospital. Ele olha docemente para uma paciente deitada que sorri e acaricia seu pescoço. O ambiente ao fundo mostra equipamentos médicos desfocados.

Coluna   Psicologia & Pet

Psicóloga Isabel Araujo

Quando o afeto também cura: a presença dos pets nos hospitais

Por: Isabel Araujo

A presença de um animal de estimação pode provocar mudanças profundas no estado psicológico de quem enfrenta uma hospitalização. O reencontro com o pet desperta memórias afetivas, reduz a sensação de isolamento e resgata algo essencial que o ambiente hospitalar muitas vezes suspende: a sensação de normalidade e pertencimento à própria vida.

Por Isabel Araujo, Psicóloga Forense


A medicina moderna tem reconhecido algo que muitos tutores já sabem intuitivamente: o afeto também é parte do processo de cura. Nos últimos anos, hospitais no Brasil e no mundo passaram a permitir, em determinadas situações, a visita de pets aos seus tutores internados. O que antes parecia apenas um gesto simbólico vem sendo cada vez mais compreendido como uma ferramenta importante para o bem-estar emocional do paciente.


A presença de um animal de estimação pode provocar mudanças profundas no estado psicológico de quem enfrenta uma hospitalização. O reencontro com o pet desperta memórias afetivas, reduz a sensação de isolamento e resgata algo essencial que o ambiente hospitalar muitas vezes suspende: a sensação de normalidade e pertencimento à própria vida. Para muitos pacientes, ver seu animal significa lembrar quem são fora da condição de doença.


Do ponto de vista psicológico, esse contato pode diminuir níveis de ansiedade, tristeza e estresse, fatores que influenciam diretamente a recuperação física. O toque, o olhar familiar e a conexão emocional ativam respostas neurobiológicas associadas ao bem-estar, contribuindo para um ambiente interno mais favorável à recuperação.


No entanto, para que esse encontro seja verdadeiramente terapêutico, é fundamental que ele aconteça com responsabilidade e planejamento. O bem-estar do paciente e do animal precisa ser igualmente considerado.


Antes de qualquer visita, é indispensável que o hospital autorize e estabeleça protocolos claros. O pet deve estar saudável, vacinado, higienizado e com comportamento tranquilo. Animais muito agitados ou sensíveis a ambientes desconhecidos podem se estressar com o barulho e a movimentação hospitalar, o que tornaria a experiência desconfortável para eles.


Da mesma forma, é preciso respeitar as condições clínicas do paciente, as normas de controle de infecção e os limites de tempo da visita. O encontro deve ser breve, supervisionado e cuidadosamente preparado para que seja um momento de alegria, não de tensão.


Quando bem conduzidas, essas visitas criam cenas de profunda humanidade: um paciente que sorri depois de dias difíceis, um animal que reconhece seu tutor e se aproxima com delicadeza, uma atmosfera que se transforma por alguns minutos dentro de um ambiente marcado pela doença.


Mais do que um gesto de carinho, permitir esse reencontro é reconhecer que a saúde não é apenas biológica, mas também emocional. Em muitos casos, o que ajuda alguém a atravessar um período de fragilidade não é apenas o tratamento médico — é o afeto que o espera do lado de fora.


E, às vezes, esse afeto tem quatro patas, um olhar fiel e uma presença capaz de lembrar ao paciente que a vida continua pulsando além das paredes do hospital.

bottom of page