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Coluna   Psicologia & Pet

Psicóloga Isabel Araujo

Pets e solidão urbana: o afeto que preenche vazios silenciosos

Por: Isabel Araujo

Foto: Reddit

Nas grandes cidades, a solidão se tornou uma companhia constante. Há quem more rodeado por prédios, ruídos e pessoas — e ainda assim viva um silêncio interno difícil de nomear. Espaços mínimos, agendas que nunca desaceleram e relações líquidas — vínculos que escorrem pelos dedos, encontros rápidos que não criam raízes, afetos que evaporam ao menor atrito — vêm deixando pessoas emocionalmente órfãs de convivência genuína.


Nessa paisagem afetiva rarefeita, os pets surgem como presenças que devolvem textura à vida. Eles oferecem algo raro em tempos tão fugazes: constância. Um cachorro que espera na porta, um gato que se deita ao lado, um pequeno animal que reconhece o toque — todos eles criam um tipo de vínculo que não exige palavras, apenas presença.


A rotina compartilhada com um pet dá forma aos dias: horários, rituais, pequenas responsabilidades que devolvem sentido ao cotidiano. Para muitos, essa regularidade é o que evita que a vida se torne um conjunto de horas vazias. Há também o toque — simples, mas profundamente regulador. Um carinho, um aconchego, um corpo quente que procura o nosso: gestos que despertam sensação de pertencimento e segurança emocional.


Ter um pet não elimina a solidão humana, mas suaviza a solidão. Reduz o peso dos silêncios. Transforma a casa em refúgio, não apenas em abrigo. Faz a rotina respirar novamente. Em meio ao ruído da cidade, é na companhia de um animal que muitos reencontram o som mais essencial: o de serem vistos, amados e acompanhados — sem pressa, sem julgamento, sem volatilidade.Um afeto que, ao contrário das relações líquidas, permanece.

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