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Coluna   Psicologia & Pet

Psicóloga Isabel Araujo

A dor do abandono: quando o silêncio também machuca

Por: Isabel Araujo

Quando se fala em abandono de animais, a imagem mais comum é a de um cão ou gato deixado na rua, perdido entre carros, fome e medo. Esse é, sem dúvida, um dos rostos mais cruéis da negligência humana. Mas existe outra forma de abandono — mais silenciosa, menos visível — que acontece dentro de muitas casas.

Foto: Reddit

Quando se fala em abandono de animais, a imagem mais comum é a de um cão ou gato deixado na rua, perdido entre carros, fome e medo. Esse é, sem dúvida, um dos rostos mais cruéis da negligência humana.


Mas existe outra forma de abandono — mais silenciosa, menos visível — que acontece dentro de muitas casas.

Animais são seres sencientes. Sentem medo, alegria, ansiedade e apego. A ciência e a convivência cotidiana já demonstraram que os pets formam vínculos profundos com seus tutores. Eles reconhecem vozes, rotinas, gestos de carinho e até o estado emocional das pessoas com quem vivem. Por isso, quando esse vínculo é rompido ou negligenciado, a dor que experimentam não é pequena nem passageira.


O abandono externo é brutal: o animal perde referência, segurança e proteção. Mas o abandono afetivo, aquele que acontece dentro do próprio lar, também deixa marcas profundas. O pet está fisicamente presente na casa, mas emocionalmente ausente da vida da família. Falta atenção, falta interação, falta carinho. Ele passa a maior parte do tempo sozinho, invisível no cotidiano daqueles que deveriam ser seu ponto de apoio.


Para muitos animais, isso se traduz em comportamentos que os tutores interpretam como “problema”: ansiedade, latidos excessivos, apatia, destruição de objetos ou retraimento. Na verdade, muitas vezes são formas de comunicar sofrimento. O pet não sabe explicar em palavras, mas expressa em comportamento aquilo que sente.


A psicologia humana nos ensina que vínculos afetivos são essenciais para o equilíbrio emocional. O mesmo princípio se aplica aos animais que vivem sob cuidado humano.


O vínculo verdadeiro é recíproco. Assim como o pet acolhe o humano, ele também precisa ser acolhido.

Assumir um animal é assumir uma responsabilidade emocional.


Abandono não é apenas ir embora. Às vezes, é simplesmente não estar, mesmo estando ali. E para um animal que ama sem reservas, essa ausência pode doer tanto quanto para qualquer ser humano.

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