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Um cachorro de porte grande com pelagem curta e marrom (caramelo), semelhante à raça Pit Bull, aparece deitado de lado e com os olhos fechados sobre um piso de azulejos brancos. Sua pata traseira esquerda está visivelmente enfaixada com uma atadura branca, indicando que ele está recebendo cuidados médicos ou se recuperando de um ferimento, em um ambiente de paredes brancas com uma manta felpuda laranja em primeiro plano.

Coluna   Psicologia & Pet

Psicóloga Isabel Araujo

A crueldade humana e o silêncio que não podemos aceitar

Por: Isabel Araujo

Casos recentes, como o homem que matou um cachorro a tiros em Magé e o que enterrou um pitbull vivo em Curitiba, escancaram algo que vai além do choque momentâneo: a capacidade humana de produzir crueldade, especialmente contra seres indefesos.

Por Isabel Araujo, Psicóloga Forense


Como jornalista e psicóloga, escrever sobre violência contra animais nunca é apenas relatar fatos — é tocar em uma ferida social profunda. Casos recentes, como o homem que matou um cachorro a tiros em Magé e o que enterrou um pitbull vivo em Curitiba, escancaram algo que vai além do choque momentâneo: a capacidade humana de produzir crueldade, especialmente contra seres indefesos.


É preciso afirmar com clareza: nenhum contexto justifica a agressão. Maus-tratos e negligência são crimes, violações éticas e morais que exigem responsabilização. Ao mesmo tempo, compreender não é o mesmo que absolver. A psicologia nos ensina que comportamentos violentos podem estar associados a estresse extremo, impulsividade, falhas graves de empatia ou até transtornos mentais — mas reconhecer possíveis fatores não diminui a gravidade do ato, nem transfere a culpa para a circunstância. A responsabilidade permanece.


Animais dependem integralmente do cuidado humano. Quando esse cuidado se transforma em violência, o que se rompe não é apenas um vínculo, mas um pacto civilizatório básico: o de proteger quem não pode se defender. A crueldade contra animais é, muitas vezes, um marcador de risco social. Ela sinaliza intolerância à frustração, dessensibilização ao sofrimento e dificuldade de reconhecer o outro como sujeito de valor — traços que, quando ignorados, tendem a escalar. Há também o papel do silêncio. Cada agressão que não é denunciada, cada normalização do “foi um surto” ou do “era só um animal” amplia o espaço para a repetição da violência. Denunciar é um ato de cuidado coletivo; punir, um dever do Estado; educar, uma urgência.


Falar desses casos não é alimentar o horror — é interrompê-lo. É lembrar que saúde mental não é álibi para brutalidade e que empatia se mede, sobretudo, pela forma como tratamos os mais vulneráveis. Entre o humano que fere e o animal que sofre, a sociedade precisa escolher, sem ambiguidade, o lado da proteção.

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