Tragédia no zoológico: jovem com histórico de transtornos mentais morre após invadir jaula de leoa na Paraíba
- Patrick Araujo

- 1 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Gerson de Melo Machado, de 19 anos, tinha 16 passagens pela Polícia, histórico de vulnerabilidade social e obsessão por leões; ataque reacende debate sobre segurança em parques zoológicos.

Um jovem morreu no último domingo (30) depois de entrar irregularmente no recinto de uma leoa e ser atacado no zoológico de João Pessoa, na Paraíba. O incidente, ocorrido enquanto o parque estava aberto ao público, levantou questionamentos sobre os protocolos de proteção e vigilância do local.
De acordo com informações da Polícia, o rapaz — identificado como Gerson de Melo Machado, de 19 anos — escalou uma parede de mais de seis metros, ultrapassou grades de proteção e utilizou uma árvore para alcançar a área interna do espaço onde estava o animal.
Registros gravados por visitantes mostram Gerson descendo pela árvore e, em seguida, sendo atacado pela leoa. O episódio ocorreu por volta das 10h, pouco depois da abertura dos portões do zoológico.
No instante da invasão, a leoa descansava junto ao vidro de observação. Ao notar a presença do jovem, ela contornou o lago interno, avançou rapidamente e o puxou da árvore. Gerson ainda tentou fugir por alguns metros, mas foi alcançado e derrubado. Nas imagens, o felino aparece com o focinho ensanguentado após o ataque.
Confira as imagens
Apesar de ser um animal treinado, a leoa foi contida por tratadores por meio de comandos, sem a necessidade de sedativos. Só então a equipe conseguiu retirar Gerson do recinto. A morte foi causada por choque hemorrágico, decorrente de ferimentos perfurocontundentes na região do pescoço.
Segundo o veterinário do zoológico, Thiago Nery, após o ocorrido a leoa ficou abalada e “em choque”. Em nota oficial, o parque negou qualquer possibilidade de sacrifício do animal e reforçou que ela está saudável e não apresentou mudanças de comportamento.
Histórico da vítima
Conhecido como “vaqueirinho da mangabeira”, Gerson tinha transtornos mentais e acumulava passagens pela Polícia desde muito jovem. Ao todo, foram registradas 16 ocorrências, sendo 10 delas enquanto ainda era menor. Em determinado período, ele chegou a ser encaminhado ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), mas fugiu do acompanhamento.

A conselheira tutelar Verônica Oliveira, que acompanhou o caso por anos, publicou uma nota de pesar nas redes sociais, relembrando a trajetória do jovem. “Foram oito anos acompanhando você, lutando e brigando para garantir seus direitos. Quando entrou na minha sala pela primeira vez, tinha apenas 10 anos. Eu e a conselheira Patrícia Falcão recebemos você das mãos da PRF [Polícia Rodoviária Federal], encontrado sozinho na BR. Desde então, toda a rede me procurava sempre que algo acontecia com você”, destacou.
Ela relatou ainda que Gerson cresceu em uma família desestruturada e era “destruída do poder familiar da mãe, que é esquizofrênica”.
A conselheira também mencionou que o jovem tinha uma forte obsessão por leões e alimentava o desejo de domá-los. Em outra ocasião, Gerson tentou invadir a pista de pouso do aeroporto de João Pessoa para embarcar clandestinamente rumo à África, mas foi impedido antes da decolagem.




















Comentários