Doenças respiratórias aumentam no inverno e podem colocar cães e gatos em risco
Médica veterinária especialista em cardiologia e pneumologia, alerta para os sinais respiratórios que tutores ignoram — e que podem virar emergência

O inverno chegou e, com ele, um problema que muitos tutores de cães e gatos ainda subestimam: as doenças respiratórias nos pets. Tosse persistente, espirros frequentes, cansaço excessivo — sinais que podem parecer "coisa do frio" são, na verdade, motivos para acender o sinal de alerta. E, em casos mais graves, podem até colocar o animal em risco de vida.
Quem avisa é a médica veterinária Dra. Giselle Costard, especialista em cardiologia e pneumologia veterinária (@gisellecostard).
As doenças mais comuns — e o que cada uma faz com o pet
Entender o que seu pet pode estar enfrentando começa por conhecer as principais doenças que o inverno traz. Cada uma tem características próprias — e saber reconhecê-las pode fazer a diferença entre uma consulta simples e uma internação de emergência.

Tosse dos canis (gripe canina)
É a grande vilã do inverno para os cães. Dra. Giselle descreve a doença — denominada clinicamente como traqueobronquite infecciosa canina: "É uma doença respiratória contagiosa dos cães, semelhante a uma gripe. Pode debilitar bastante o cão acometido, com muita tosse, febre, prostração e até pneumonia. Pode ocorrer o ano inteiro, mas costuma ser mais frequente em períodos frios e em locais com grande concentração de animais."
O nome "tosse dos canis" não é por acaso — a doença se espalha rapidamente em ambientes com muitos cães, como pet shops, hotéis para animais, clínicas e parques. Um único animal infectado pode contaminar vários outros em questão de horas. Por isso, a vacinação é especialmente importante para cães que frequentam esses espaços.
Gripe felina

Nos gatos, o equivalente é a gripe felina (rinotraqueíte felina) — e o inverno também piora o quadro. Segundo a especialista, "o clima mais frio pode favorecer surtos e agravar sintomas em animais mais sensíveis." Os sinais mais comuns são espirros em sequência, secreção nasal e ocular, e, nos casos mais avançados, dificuldade para respirar. Gatos que vivem em colônias ou lares com múltiplos felinos têm risco maior de contágio.
Bronquite e pneumonia
Ambas são relativamente frequentes em pets, mas têm dinâmicas diferentes. "A bronquite costuma ser mais crônica, enquanto a pneumonia exige atenção rápida e tratamento adequado", explica Dra. Giselle. A bronquite crônica é um incômodo constante — um estado de inflamação persistente nas vias aéreas que piora com o frio. A pneumonia, por outro lado, é uma urgência: evolui rápido, pode comprometer seriamente os pulmões e exige intervenção imediata.
Asma, rinite crônica e colapso de traqueia
São doenças crônicas que, embora não sejam causadas pelo frio, tendem a apresentar agravamento dos sintomas nessa época do ano. O colapso de traqueia, em particular, é especialmente comum em raças pequenas e pode causar crises intensas de tosse e dificuldade respiratória quando o animal se agita — seja por excitação, exercício ou até pela própria ansiedade de passear.

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Sinais que merecem atenção
Para ajudar na identificação, a especialista lista os principais sinais que merecem atenção: "Tosse, engasgos, espirros frequentes, secreção nasal, respiração acelerada, cansaço excessivo, dificuldade para respirar e intolerância ao exercício são sinais que merecem atenção. Muitos aparecem ou são agravados quando os pets se agitam, passeiam, ficam felizes."
Vale prestar atenção também às diferenças entre espécies. "Os cães costumam apresentar mais tosse e engasgos. Já os gatos frequentemente apresentam espirros, secreção nasal e ocular, além de dificuldade respiratória em casos mais graves", detalha a Dra. Giselle. Enquanto o cão "avisa" de forma barulhenta, o gato costuma ser mais discreto — o que pode atrasar ainda mais a percepção do problema pelo tutor.
Quando procurar atendimento urgente — vá imediatamente ao veterinário se o pet apresentar:
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Pets que estão no grupo de risco
Idosos e filhotes
"Filhotes possuem o sistema imunológico ainda em desenvolvimento e idosos podem apresentar doenças associadas que aumentam os riscos", explica Dra. Giselle. No caso dos filhotes, o organismo ainda não desenvolveu defesas suficientes para combater infecções com eficiência. Nos idosos, o problema é o acúmulo: doenças cardíacas, renais ou metabólicas pré-existentes deixam o sistema imune sobrecarregado e menos capaz de reagir.

Raças braquicefálicas
Buldogues, pugs, shih tzus, American Bullys, chihuahuas e outros de focinho curto são os campeões de sensibilidade respiratória.
Pets obesos
"O excesso de peso aumenta o esforço respiratório e pode agravar doenças já existentes", alerta a Dra. Giselle. O tecido adiposo em excesso pressiona o diafragma e os pulmões, tornando cada respiração mais difícil.
Animais com doenças cardíacas ou respiratórias pré-existentes
Pets que já convivem com bronquite crônica, asma, rinite, colapso de traqueia ou problemas cardíacos precisam de acompanhamento ainda mais próximo no inverno. Giselle ressalta que esses pacientes são "predispostos" a um agravamento nessa época do ano.
Como proteger o pet no inverno
Vacinação em dia
É a primeira linha de defesa. "A vacinação é uma importante ferramenta de prevenção e ajuda a reduzir o risco de diversas doenças respiratórias infecciosas", reforça a especialista. Isso inclui vacinas como a Bordetella (para tosse dos canis), a polivalente e o protocolo antirrábico. Se o calendário vacinal estiver atrasado, o início do inverno é o momento ideal para regularizá-lo.
Roupinhas
"Podem ajudar alguns animais mais sensíveis ao frio, principalmente idosos, filhotes e raças de pelo curto", confirma Dra. Giselle. "O ideal é utilizar roupas confortáveis, limpas e adequadas ao tamanho do pet", completa. Evitar tecidos que causem abrasão, apertados demais ou que acumulem umidade é fundamental.
Ambiente adequado
Pets que dormem em locais frios, úmidos ou com correntes de ar estão mais expostos. Caminha elevada do chão, cobertores limpos e secos, e ambientes ventilados — mas sem vento direto — fazem diferença significativa, especialmente para animais mais velhos ou já debilitados.
Controle de peso e alimentação
Manter o pet em peso saudável é uma das formas mais eficazes de reduzir o risco respiratório — e também cardiovascular.
Acompanhamento veterinário regular
Consultas periódicas — e não apenas em situações de emergência — permitem que o médico-veterinário identifique mudanças sutis que o tutor pode não perceber em casa.
O diagnóstico: o que esperar na consulta

Quando o pet chega ao veterinário com sintomas respiratórios, o processo diagnóstico costuma envolver uma série de etapas. A anamnese — a entrevista com o tutor — é fundamental: quanto tempo faz que o sintoma apareceu, se piorou, em quais situações ocorre e se há outros animais no lar com os mesmos sinais. Em seguida, o veterinário realiza o exame físico, incluindo ausculta pulmonar e cardíaca.
Dependendo do quadro, podem ser solicitados exames complementares como radiografia de t órax, hemograma, culturas de secreção e, em casos mais complexos, endoscopia das vias aéreas. Para animais com suspeita de doença cardíaca associada — como é comum em cães idosos de raças pequenas —, o ecocardiograma pode ser essencial para entender o que está comprometendo a respiração.
A expertise de Giselle em cardiologia veterinária é relevante aqui: doenças do coração podem se manifestar com sintomas respiratórios, e é fundamental diferenciá-las das doenças pulmonares para que o tratamento seja o correto. Um cão tossindo de madrugada, por exemplo, pode estar com uma bronquite — ou com insuficiência cardíaca. O diagnóstico preciso muda completamente a conduta.
