SAÚDE PET
É idade ou doença? Mudanças de comportamento podem indicar problemas de saúde no seu pet
Alterações como sono excessivo, dificuldade para subir escadas e redução da atividade física nem sempre são consequência natural do envelhecimento em cães e gatos
15 de ago. de 2026
7 min de leitura
Redação Pet Mania e Dra. Pâmella Castro de Paula

Dormir mais, deixar de subir escadas, parar de pular no sofá ou demonstrar menos interesse por brincadeiras são comportamentos que muitos tutores consideram naturais com o avanço da idade dos animais. No entanto, essas mudanças também podem estar relacionadas a dor crônica, doenças ou alterações cognitivas em cães e gatos idosos.
Segundo a médica-veterinária Dra. Pâmella Castro de Paula, da Plamev Planos de saúde pet, a principal diferença está na maneira como essas alterações surgem. Enquanto o envelhecimento saudável tende a acontecer de forma gradual, mudanças mais acentuadas, persistentes ou progressivas precisam ser investigadas.
“Quando o pet deixa de realizar atividades que antes fazia com facilidade, como subir escadas, brincar ou se alimentar normalmente, ou passa a dormir muito mais que o habitual, é importante investigar a presença de alguma patologia. O envelhecimento saudável ocorre de forma gradual”, explica a médica-veterinária.
Entre as condições que podem afetar animais idosos está a Síndrome da Disfunção Cognitiva, uma doença neurodegenerativa que apresenta algumas características semelhantes às demências observadas em humanos.
Desorientação mesmo em ambientes conhecidos, alterações no ciclo do sono, aumento da atividade durante a noite, elimina ção de urina ou fezes em locais inadequados, redução da interação com os tutores, vocalização excessiva e mudanças comportamentais relacionadas à ansiedade estão entre os sinais que podem ser observados.
No entanto, esses sintomas não significam necessariamente que o animal esteja apresentando perda cognitiva. “Doenças metabólicas, alterações sensoriais, como perda de visão ou audição, dor crônica e outras enfermidades também podem causar manifestações semelhantes. Por isso, o diagnóstico depende da avaliação clínica e da exclusão de outras doenças”, afirma Dra. Pâmella.
Dor pode se manifestar de forma silenciosa
A dor crônica também pode passar despercebida pelos tutores, principalmente porque os animais nem sempre demonstram o desconforto de maneira evidente.

Dificuldade para se levantar, resistência para caminhar, subir escadas ou pular, alterações na postura, prostração, irritabilidade ao toque, redução do apetite e mudanças no padrão de sono estão entre os sinais que merecem atenção.
Nos gatos, perceber esses sinais pode ser ainda mais difícil. “Muitos apenas deixam de subir em móveis altos, passam mais tempo escondidos ou diminuem a atividade física. São comportamentos que frequentemente acabam sendo interpretados pelos tutores como ‘preguiça da idade’, quando podem indicar dor”, explica a veterinária.
Acompanhamento veterinário deve ser frequente
Além de observar mudanças no comportamento, o acompanhamento preventivo tem papel importante na manutenção da qualidade de vida dos animais idosos.

De acordo com Pâmella, cães e gatos na terceira idade devem passar por avaliações veterinárias pelo menos a cada seis meses. Dependendo da idade e da presença de doenças prévias, esse acompanhamento pode precisar ser ainda mais frequente.
Manter o peso adequado, oferecer uma alimentação compatível com a fase da vida, garantir hidratação, estimular atividades físicas dentro das limitações do animal e investir em enriquecimento ambiental também são medidas que contribuem para preservar a saúde física e mental.
Existem atualmente diferentes formas de controlar a dor e reduzir os impactos das alterações cognitivas. O tratamento da dor crônica pode envolver medicamentos, fisioterapia, reabilitação, controle de peso, suplementos articulares e, em determinadas situações, terapias complementares.
Nos casos de disfunção cognitiva, embora não exista cura, algumas estratégias podem ajudar a retardar a progressão do quadro. Entre elas estão exercícios físicos, estímulos ambientais, dietas específicas, antioxidantes, ômega-3 e medicamentos prescritos pelo médico-veterinário.
“Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de controlar os sintomas, preservar a independência do animal e proporcionar uma melhor qualidade de vida. O acompanhamento periódico permite identificar alterações ainda em fases iniciais, quando as intervenções costumam ser mais eficazes”, conclui Pâmella Castro de Paula, médica-veterinária da Plamev.



