Corpo de cão morto é enviado a vereadora em protesto e mulher é indiciada no Rio Grande do Sul; ENTENDA O CASO
Polícia Civil conclui investigação e aponta que suspeita utilizou o corpo do próprio cachorro como forma de protesto após a morte do animal em um ataque de cães comunitários

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu, na quinta-feira (9/7), a investigação sobre o envio do corpo de um cachorro morto à vereadora Andreza da Rosa, de Novo Hamburgo (RS). A principal suspeita, uma mulher de 64 anos, foi indiciada por maus-tratos qualificados contra animal, injúria real e crimes ambientais relacionados ao descarte e transporte irregular da carcaça do cão.
O caso ganhou grande repercussão após a parlamentar, conhecida por sua atuação em defesa da causa animal, receber em seu gabinete uma caixa de papelão contendo o corpo de um cão da raça pinscher.
Segundo o delegado Rafael Sauthier, responsável pelas investigações, o animal pertencia à própria suspeita. A apuração revelou que o cachorro havia sido solto para o passeio diário quando, no último sábado, foi atacado por cães comunitários que vivem nas proximidades da residência da tutora.
De acordo com a investigação, a mulher informou que tentou socorrer o animal, limpando seus ferimentos e administrando dipirona. No entanto, afirmou que não possuía condições financeiras para levá-lo ao atendimento veterinário, pois havia arcado recentemente com despesas relacionadas à própria saúde.
O cão morreu durante a madrugada entre domingo (5/7) e segunda-feira (6/7).
Na manhã de segunda-feira, a investigada contratou um motorista por aplicativo para entregar uma caixa na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, endereçada à vereadora Andreza da Rosa. Conforme a Polícia Civil, o motorista desconhecia totalmente o conteúdo da encomenda e apenas realizou o serviço de transporte, sem qualquer envolvimento no crime.
As investigações apontaram que a mulher decidiu enviar a carcaça do animal como forma de protesto contra o que considera ser uma omissão do poder público em relação aos cães comunitários da região.
Segundo ela, esses mesmos animais já teriam atacado e matado anteriormente outro cachorro pertencente a uma vizinha.
Entretanto, conforme informações prestadas pela Prefeitura de Novo Hamburgo e pela própria vereadora durante a investigação, não existiam registros de reclamações ou protocolos anteriores sobre ataques envolvendo esses cães, nem junto ao município nem no gabinete da parlamentar.
Ao finalizar o inquérito, a Polícia Civil indiciou a suspeita pelos crimes de injúria real, maus-tratos qualificados contra cão, praticados por omissão — por não ter providenciado atendimento veterinário adequado ao animal —, descarte irregular de carcaça e transporte irregular de resíduo sólido.
Apesar das acusações, a investigação descartou o crime de ameaça. Segundo o delegado Rafael Sauthier, as provas reunidas indicam que a intenção da investigada não era intimidar a vereadora, mas utilizar o envio do corpo do cachorro como manifestação de protesto.
Como tudo começou
O episódio veio a público após Andreza da Rosa registrar um boletim de ocorrência e divulgar nas redes sociais um vídeo mostrando o momento em que recebeu a encomenda.
Na gravação, a vereadora aparece comemorando a chegada da caixa, que trazia a mensagem: "Carinho para proteger os animais. Obrigado", acreditando tratar-se de um presente em reconhecimento ao trabalho desenvolvido em defesa da causa animal.
Ao abrir a embalagem, porém, encontrou o corpo do cachorro.
“Meu Deus, alguém mandou um cachorro para mim. Me entregaram um corpo”, afirmou a parlamentar no vídeo.
Após o ocorrido, Andreza classificou o episódio como um ato de extrema violência.
“Na hora, não me ocorreu o que era ou o que poderia ser. Isso porque ninguém imagina receber esse tipo de ataque: um ato criminoso de violência, marcado pela crueldade e pela covardia de usar a vida de um animal como ameaça ao meu mandato e ao meu gabinete”, disse.
