COMPORTAMENTO E BEM-ESTAR
Seu gato realmente esquece de você quando você viaja? A resposta vai te surpreender
Enfermeira veterinária britânica desvenda como funciona a memória dos felinos — e por que ela é muito mais sofisticada do que a maioria dos tutores imagina
7 de set. de 2026
5 min de leitura
Redação Pet Mania

Você viajou, ficou alguns dias fora, e quando voltou, o gato parecia ignorar a sua existência? Primeiro te deu as costas, depois foi cheirar seus pertences como se fosse uma inspeção. É nessa hora que você pensa: "ele me esqueceu."
Mas calma — a realidade é bem diferente.
A memória dos gatos é consideravelmente mais complexa do que a maioria das pessoas supõe e está profundamente ligada aos estímulos sensoriais — em especial aos cheiros e aos sons. A fama de animais ariscos e indiferentes, que demonstram afeto de forma esporádica, alimentou durante anos a crença de que os felinos também esquecem rapidamente de quem os cuida. Mas a ciência aponta em outra direção.
A enfermeira veterinária britânica Jane Davidson abordou o tema em entrevista à revista Newsweek, esclarecendo como, de fato, funciona a memória dos felinos.
"Os gatos são únicos. Algumas de suas capacidades de memória se assemelham às dos cães, mas existem diferenças importantes", revela Jane Davidson, enfermeira veterinária britânica.
No caso dos felinos, a memória está fortemente atrelada ao ambiente em que vivem e à estabilidade desse espaço. Mais do que uma questão emocional, trata-se de algo que envolve sensações, territorialidade e rotina.
Como a memória dos gatos realmente funciona

Além de sua trajetória profissional, Jane Davidson compartilhou sua perspectiva também como tutora de vários gatos — o que torna sua análise ainda mais próxima do dia a dia dos leitores.
"Pela minha experiência, não tenho certeza de que os gatos realmente 'esqueçam' seus donos. A experiência que eles têm da vida em família é multifacetada e não se resume às relações emocionais que nós, humanos, consideramos mais importantes. A sensação de segurança física — ter um lugar para dormir, comer e brincar — também faz parte dela. O ser humano é parte desse ambiente protetor", conta Jane Davidson.
Em outras palavras: para o gato, você não é apenas alguém que ele gosta. Você é parte fundamental do ambiente que ele reconhece como seguro. E essa memória — sensorial, espacial e afetiva ao mesmo tempo — não se apaga com alguns dias de ausência.
O que acontece quando o tutor fica longe
A cena comum entre tutores de gato: você volta de uma viagem, e o gato parece indiferente ou até levemente hostil. Antes de interpretar isso como esquecimento, vale entender o que está acontecendo de verdade.

É plenamente esperado que o animal apresente alterações de comportamento durante um período de ausência do tutor — mas essas mudanças são uma reação à falta, não uma evidência de que ele deixou de reconhecê-lo.
As alterações de comportamento mais frequentes incluem perda temporária do apetite, redução do interesse por atividades que antes atraíam o animal e uma busca ativa por roupas ou objetos que carreguem o cheiro do dono ausente. Quando a reação é mais intensa, podem surgir comportamentos como miados repetidos, aumento da marcação territorial ou arranhões fora do padrão habitual.
Cada gato tem o seu jeito
Não existe um roteiro único para a reação dos felinos à ausência do tutor. Alguns se recolhem, dormem mais e passam os dias em isolamento. Outros fazem o caminho inverso: ficam mais grudados, buscam contato físico com frequência e parecem precisar de atenção constante para compensar o tempo de separação.
Em qualquer dos casos, uma coisa é certa: o reencontro pede paciência. Deixe o gato ditar o ritmo do reaquecimento da relação — forçar interações pode gerar ainda mais desconforto para o animal. Com calma e consistência, a rotina volta ao normal.





