Crise nos abrigos: cães de focinho achatado podem ser sacrificados na Europa
- 12 de mai.
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Atualizado: 18 de mai.
Custos elevados de cirurgias e problemas genéticos colocam cães braquicefálicos no centro de um dilema ético em abrigos do Reino Unido

O sistema de proteção animal do Reino Unido e de outros países da Europa enfrenta um impasse considerado sem precedentes por especialistas e protetores. Abrigos têm alertado para a possibilidade de eutanásia em massa de cães braquicefálicos — como Pug e Buldogue Francês — devido aos altos custos das cirurgias necessárias para corrigir problemas respiratórios graves causados pela própria genética dessas raças.
A crise é apontada como consequência direta de décadas de seleção genética voltada principalmente à estética, priorizando focinhos cada vez mais achatados, característica que acabou se transformando em uma deformidade capaz de comprometer seriamente a qualidade de vida dos animais.
O crescimento da popularidade dos chamados cães de “cara achatada” levou o problema a um ponto crítico. Segundo relatos de gestores de abrigos britânicos, o valor médio para procedimentos corretivos — como cirurgias nas narinas estenóticas e no palato mole alongado — pode ultrapassar £ 3 mil, o equivalente a cerca de R$ 20 mil por animal.
Sem essas intervenções, muitos cães vivem em constante dificuldade respiratória, quadro que se agrava ainda mais em períodos de calor intenso.
O preço da estética na criação canina
A popularização dessas raças, impulsionada por influenciadores digitais e celebridades, também fomentou o crescimento de criadores clandestinos, que passaram a priorizar características estéticas extremas em vez da saúde dos animais.
O resultado, segundo especialistas, é uma geração de cães com crânios comprimidos e vias respiratórias sem espaço adequado para os tecidos moles.
Veterinários explicam que a estrutura braquicefálica compromete não apenas a respiração, mas também a capacidade de regulação térmica do corpo. “Esses cães não conseguem ofegar de forma eficiente para resfriar o corpo. Em dias quentes, eles estão em risco constante de morte por hipertermia”, afirma um veterinário especializado em cirurgias reconstrutivas.
O cenário tem colocado os abrigos diante de decisões difíceis. “Estamos sendo forçados a tomar decisões impossíveis. É justo gastar todo o orçamento de um abrigo em um único cão enquanto centenas de outros saudáveis ficam sem comida?”, diz uma representante de abrigo de animais no Reino Unido.
Abandono e crise econômica agravam situação
A situação se torna ainda mais preocupante em meio à crise do custo de vida enfrentada em diversos países europeus. Muitos tutores que adquiriram cães dessas raças durante a pandemia agora enfrentam dificuldades financeiras e não conseguem arcar com tratamentos veterinários especializados e planos de saúde voltados a animais de alto risco.
Esse descompasso entre o desejo estético e a responsabilidade financeira tem aumentado o número de cães com problemas crônicos abandonados em abrigos que já operam acima da capacidade.
No Brasil, embora a situação ainda esteja distante do nível de saturação registrado na Europa, médicos-veterinários alertam para o crescimento dos casos de problemas respiratórios em Pugs e Buldogues.
Especialistas apontam que o debate internacional deve servir de alerta para consumidores brasileiros buscarem criadores responsáveis, que priorizem saúde, funcionalidade física e qualidade de vida dos animais, em vez de padrões estéticos extremos.




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